segunda-feira, 24 de setembro de 2012

SOMBRA NA MATA




Nessa vida existem mistérios que às vezes não achamos vínculo com a razão, um de meus primeiros contatos com o sobrenatural foi durante a morte de um vizinho muito rico em minha cidade natal dono de diversas propriedades, ele acidentado havia sido hospitalizado e levado ate Manaus para tentar ser salvo porem a noticia de sua morte chegara à cidade depois de poucos dias. O detalhe mais sinistro foi que na madrugada anterior no exato instante em que morrera às 3 horas da madrugada foram ouvidas três batidas estranhas em todas suas propriedades por seus vizinhos, mistério esse que me instigou a ter interesse pelo desconhecido e posteriormente ser um regionalta.
Assim logo me vi pesquisando por seres fantásticos do folclore local, foi durante uma viajem que acompanhando minha mãe ate o interior a trabalho pela prefeitura fiquei durante dois dias em uma fazenda do interior, eu com cerca de 13 anos apenas pensava em brincar com as crianças do lugar e assim o fiz no igarapé próximo dali, depois de alguns minutos cansado o garoto que chamarei de Paulo se vira e pergunta:

-Quer ver algo sinistro?

Eu sem pensar duas vezes esperava algum animal morto ou coisa interiorana e assim fomos ate uma velha ingazeira que ficava a cerca de 20 metros da casa principal próxima ao curral, Paulo me apontou com o dedo um galho vazio na copa da arvore sem galho nenhum que não permitia esconder ninguém, o tronco naquele ponto era seco diferente do restante do vegetal com a casca escurecida.
Colocando as mãos no rosto, mais precisamente na boca fazendo um "megafone" ele grita um nome, nome este que esqueci a pronuncia porem parecia um dialeto indígena. O galho estranhamente começa a se contorcer rápido como se houvesse alguma pessoa em cima pulando como um trampolim, logo escuto o barulho de impacto em galhos próximos como se alguém batesse neles chicoteando e o garoto grita para mim:

-Corre rápido antes que ele te pegue!

Voltamos para casa, sem ar ambos sentamos na frente da varanda distantes dali e ele me dizque aquilo era um espirito, eu confuso pergunto se era algum trote, ele diz:

-Tem coragem de voltar?

Tenso (me cagando de medo porem orgulhoso demais pra admitir) digo Ok e voltamos, para minha surpresa havia folhas e pequenos talos de arvore caídos rasgados próximas ao ingazeiro, o galho negro estava estranhamente retorcido e enrolado quase um nó, Paulo escala a arvore e para em pé ereto cima dele comprovando sua rigidez. Eu escalo a arvore e dou socos provando a densidade, confuso fico me questionando se deveríamos estar ali? E Paulo com lendo minha mente responde:

- Essa arvore esta aqui desde que minha avó era nova, ela dizia que o povo daqui esqueceu-se do que ouve mas parece que morreu muita gente debaixo dela, uma tragedia terrivel que poucos sabem.

Ao descer me sinto estranho como que observado por alguém próximo, inquieto não consegui dormir naquela noite ate que na manha do dia seguinte deixei para trás aquele lugar para nuca mais voltar.