quarta-feira, 31 de outubro de 2012

DOSSIÊ LARRY #03


Cinco da manhã a nevoa da madrugada começa a se dissipar deixando o orvalho na superfície das folhas, no horizonte o sol pintava de laranja o céu trazendo um novo amanhecer. Em um campo de futebol amador feito em um terreno abandonado um jovem corria dando voltas se aquecendo, próximo dali um grupo de militares passa em marcha sem se importar com o rapaz que os observava pensando.
Darkeholy: Ninguém merece... arf arf, chega vamos parar um pouco.
Larry: Vamos continue, ainda faltam mais três voltas.
A mão do jovem começa a esbofetear o rosto dele dando tapinhas.
Darkeholy: Ok... ok... Você é quem manda.
Larry: Eu disse que te daria poder e assim farei desde que esteja pronto para lutar por ele.
Fazia dois meses desde o incidente onde conheci Larry, desde lá tenho acordado todos os dias cedo por influencia dele, meu corpo emagreceu cerca de 5 quilos devido aos exercícios ministrados por ele me tornando o que ele chama “de uma morada minimamente decente”.
Apesar da proximidade ainda não obtive sucesso em ter alguma resposta do que era Larry ou de que ele se escondia mesmo sendo tão “próximo” a ele. Cansado e suado caminhava lentamente em meio aos poucos trabalhadores que se passavam indo em direção a mais um cansativo dia de trabalho.
No caminho fecho meus o olhos e afundo novamente numa escuridão profunda e me vejo diante de um ser humanoide sem feições apenas com a forma humana.
Larry: Algo o incomoda?
Darkeholy: Gostaria de saber mais sobre você, agora que faz parte da minha vida só queria falar um pouco.
Larry: Muito bem diga o que quer saber?
Darkeholy: Você me acha fraco?
Larry: Sinceramente sim muito, contudo se acalme logo vai deixar de ser eu garanto.
Darkeholy: E por acaso sabe o que vai acontecer?
Larry: Há há há boa tentativa, sei que esta tentando obter mais informações sobre mim indiretamente fazendo perguntas com segundas intenções.
Nesse instante um calafrio atravessou minha espinha, a criatura continuou.
Larry: Apenas para satisfazer sua curiosidade não posso prever o futuro, sabe você não pode me esconder nada afinal suas intenções aqui são como o vento que flui ao meu redor, tão palpável quanto o chão debaixo dos seus pés.
Darkeholy fica calado e claramente desconcertado envolto por aquela escuridão ate a entidade se aproximar e lhe perguntar.
Larry: Sabe por que esse lugar é escuro?
Darkeholy: Por que é um lugar profundo da minha mente?
Larry: Sim e não, esse espaço basicamente é uma materialização de sua consciência, mais exatamente seu conceito de profundidade como o fundo de um poço. Esta inseguro...com medo e assustado embora não deixe transparecer para quem o vê.
Darkeholy: Não gosto de ficar por fora de algo me, acabo me sentindo excluído, só gostaria de algumas respostas, pois não tenho por que duvidar de você afinal poderia ter me eliminado.
Larry: Paciência... Logo as respostas virão esperamos que sejam em paz.
Em uma casa abandonada longe dali uma parede racha deixando cair fragmentos de reboco no chão mofado, parte do solo começa a afundar lentamente como se algo estivesse puxando.
Mais tarde em uma escola publica Darkeholy estudava com muita dificuldade matemática numa cadeira no fundão próximo a janela, Larry meditava em posição de lótus na mente do jovem concentrado sem interferir no dia a dia.
Uma jovem se aproxima dele perguntando:
???: Você quer ajuda?
Darkeholy: N...não obrigado eu estou legal...e a numero 2 conseguiu achar?
???: Não, que tal você me ajudar nessa?
A garota era Lucile menina de 14 anos, um garota não muito bonita que ficara amiga do rapaz desde sua chegada a Itacoatiara, embora fossem próximos nunca haviam tido nenhum relacionamento mais profundo entre os dois, magra de pele branca e cabelos loiros de olhos castanhos usava o uniforme do colégio com a diferença de uma saia longa.
Ambos ficam calculando formulas matemáticas e assim acaba o dia, no caminho para casa os dois seguem conversando tranquilamente e a garota fala.
Lucile: Já ouviu falar de creepypastas?
Darkeholy: Não, o que é isso? Alguma banda nova?
Lucile: Hi hi hi, por isso que gosto de falar com você, são umas lendas urbanas que estão falando por ai... Uma mais cabeluda que a outra, tem gente que diz que são reais outros duvidam e acham graça.
Darkeholy: Parece historia pra boi dormir, coisa de gente desocupada.
Lucile: Seu chato saiba que tem ate vídeos na internet com supostas aparições de alguns deles, isso me arrepia.
Darkeholy: Por que algum motivo em especial?
Lucile: Tem um que é bem interessante, ouviu falar em Slenderman?
Darkeholy: Slender...man? O que é isso?
Lucile: Dizem ser um homem magro, alto, com a pele fria e sem rosto.
Darkeholy: Sem rosto?! Esta ficando interessante, e o que ele faz?
Lucile: Dizem que ele odeia a pureza, por isso trata de eliminar todas as pessoas com pureza que encontra, com seus 8 braços ele fica na beira de matas e florestas de forma que ninguém perceba eles se aproximando para capturar as vitimas. Dizem que o alvo favorito dele são crianças e jovens puras e que quem vê ele começa a ficar louco instantaneamente ate morrer paralisado.
Darkeholy: Parece mais com uma espécie de tarado, por que ele te assusta você não é...

 PAF!

A jovem não espera o rapaz pronunciar mais nenhuma letra e lhe aplica um tapa que faz virar o rosto, ela muito chateada com o rosto corado aumenta o tom da voz.
Lucile: Ta dizendo que eu não sou pura o bastante?!
Darkeholy: Ai! Com esse seu temperamento duvido que alguém suma contigo, eu só estou dizendo que se ele gosta de crianças nos estamos a salvo, somos quase adultos.
Lucile: Só que estamos no Amazonas, aqui é a MAIOR FLORESTA DO MUNDO,  e quanto maior a floresta maior fica a influencia dele.
Darkeholy: Ai, então explica né., para mim parece mais uma atualização do curupira.
Eles chegam numa esquina e se despedem com um aceno leve, assim cada um segue seu caminho, o garoto de repente sente seus pés se movendo por conta própria percebendo logo que era Larry operando ele pergunta:
Darkeholy: Onde esta me levando?
Larry: Você não queria respostas? Vou te levar ate elas.
Os “dois” caminham em direção ao bairro velho da cidade próximo a um antigo cemitério, o lugar fora abandonado e um novo foi construído há alguns quilômetros dali. Contudo ainda era o centro de historias que eram passadas a gerações como contos de escravos que usavam o lugar para rituais africanos a séculos e aparições fantasmagóricas . Escalando o muro o garoto atravessa aquele lugar com covas abertas e ossos velhos expostos ate encontrar uma cabana abandonada.
Darkeholy: O que fazemos aqui?
Larry: Disse que queria respostas sobre mim então tratei de providenciar algumas bem solidas.

Ele avança ate uma casa velha usada pelo coveiro do lugar e não vê ninguém, dominando a mão esquerda Larry assume sua forma costumeira de “frango” e ambos entram o lugar, havia poucos moveis velhos quebrados com um chão de madeira solta e pregos enferrujados. 
Larry aponta para uma porta no chão, o jovem vai ate ela e abre revelando o porão do lugar, uma sala escura com musgo crescendo no chão com pouca luz que entrava de forma paupérrima através das fissuras do piso superior.
Da escada ele observava um dos lados da sala onde uma parede brilhava, gemidos podiam ser ouvidos e aos poucos se tornavam mais nítidos, o rapaz horrorizado viu brotar do solo um ser esquelético de forma humanoide similar a um zumbi envolto por uma substancia negra como lodo.
Larry: Se acalme ele não pode te ver nem te ouvir... Ainda.
Darkeholy: Q - Que... Que coisa é essa?
Larry: Isso é o que sou um ser que naturalmente não tem condições de habitar esse mundo.
Darkeholy: Eu...eu não entendo, pode ser mais claro?
Larry: A força de vontade das pessoas realmente é uma força incrivelmente poderosa capaz de moldar o destino do homem e em alguns casos o mundo, tanto que quando muitas pessoas acreditam na existência de algo mesmo que involuntariamente ferem a barreira da realidade gerando essas formas de vida estranhas ao mundo normal. Esses seres que não jogam pelas regras desse mundo e sim pelas próprias, esses seres imperfeitos chamados espers.
Darkeholy: Espers? Eu li algo a respeito no seu arquivo, você é um deles?
Larry: Obvio porem diferente da maioria eu não possuo um corpo próprio, preciso de hospedeiros para interagir com o mundo material.
Darkeholy: E essa coisa de onde ela veio?
Larry: Para um esper nascer é um processo demorado, alguns levam séculos para surgir outros apenas poucos dias dependendo da crença das pessoas.  Esse eu estimo que tenha levado pelo menos 20 anos considerando os relatos de assombrações que mancham a reputação do lugar.
O ser monstruoso sai do buraco no chão onde se materializou envolto por uma secreção pastosa acinzentada e cai deitado para frente imóvel.
Darkeholy: E o que viemos fazer aqui?
Larry: Viemos iniciar seu treinamento.
Darkeholy: Ta de sacanagem comigo? Iniciar? Eu já treino todo dia e você quer me fazer lutar com aquela coisa?
Larry: Por que não? Você treinou todo dia certo? E melhor começar a agir veja ele logo vai completar seu nascimento.
A massa pastosa do ser começa a se evaporar numa fumaça cinza revelando um zumbi similar aos filmes de terror diferenciado por possuir com garras afiadas e caninos maiores que um humano normal.
Darkeholy: Por que esta fazendo isso com um dos seus? O que pretende?
Larry: Perguntas e mais perguntas... Quando vai sumir com as duvidas e começar a agir?
 A aparição começa a caminhar lentamente de forma pesada em direção ao rapaz que tenta fugir sentindo sua perna esquerda ficar pesada, a criatura salta atacando com o braço direito. O jovem se joga usando o tronco e desvia rolando escada abaixo enquanto o braço do monstro arranca um pedaço da madeira do degrau acima, surpreso ele sente sua perna novamente e em sua mente o esper adverte com voz firme.
Larry: Sempre que tentar fugir pela escada paralisarei suas pernas, você queria respostas, queria poder então terá que pagar um preço como todo mundo com o mínimo de honra.
Darkeholy: Droga, o que faço agora? Como é que mato essa coisa?
O garoto se afasta correndo agachado e logo se levanta num canto da sala.
Larry: Você ouviu o que disse? Espers são seres nascidos da vontade humana rapaz, tudo que tem que fazer e atacar com uma força de vontade maior que a deles para desestabilizar sua presença nesse mundo.
Darkeholy: Droga! Isso é muito confuso... Droga!
A criatura vira e segue novamente em direção ao alvo golpeando seguidamente de forma cambaleante como se fosse cair, Darkeholy desviava dos golpes evitando por pouco tendo a pele arranhada em alguns pontos, depois de pouco tempo ele se vê encurralado em um parede no canto da sala.
Larry: E igual como nos seus gibis, um poder maior sobrepõe um menor, é bem simples rapaz, imagine como um se duas pessoas jogassem agua um no outro.
Darkeholy: Agua?
Larry: Sim imagine...
 Um homem ataca usando um copo enquanto que o outro usa um balde, a agua do balde sobrepõe a do copo levando ela de volta. Pode parecer difícil, mas apenas se concentre e acredite que “você pode ferir o adversário”.
Darkeholy: Acreditar... Acertar... Ferir... Eu vou ferir...
Larry: Sim... Assim mesmo espers são feitos de pura vontade, acredite que vai acertar ele firmemente e o milagre vai acontecer.
O rapaz olha o punho e fecha os olhos, o mostro prepara mais um soco e ataca, do lado de fora da casa ouve se um forte grito que faz um bando de pássaros em uma arvore sair em revoada para longe.